Sofia chegou. Abriu a porta de casa e correu para o quarto. Lágrimas corriam por sua face como se fossem rios. Uma tristeza profunda tomava conta de seu ser.
Jogou-se na cama e abafou os soluços com o travesseiro.
Novamente ela o havia visto, só que esta vez com uma loira fabulosa.
Sofia era apaixonada por Renato desde a adolescência, mas indiscutivelmente Renato só a via como amiga. Seus diálogos eram sempre carregados de inúmeros: “amiga pra cá e amiga pra lá”.
Alguém por acaso sabe como fazer uma ‘amigo’ se tornar namorado?
O que mais doía para Sofia não era não ter o amor correspondido, pois ela reconhecia que nem todos os amores podem ser concretizados, mas o que doía era vê-lo com outras mulheres, era vê-lo distribuir sorrisos como se esperasse que através deles alguma daquelas mulheres lhe roubassem o coração.
O que impedia Sofia de se declarar para Renato era o simples fato de já ter sofrido por inúmeras declarações, pois seus ex-namorados já lhe haviam dito muitas e muitas vezes as três palavrinhas: “Eu te Amo”, sem que realmente fossem verdades.
Para ela. amar não é dizer, mas mostrar que existe o amor. Adianta alguma coisa repetir “Eu te Amo” se não é verdade? Sofia acreditava firmemente que quando muito se repetem estas palavras, não existe o amor. O amor tem medo de falar, mas mostra-se sutil ou abertamente para as pessoas que realmente são capazes de vê-lo.
[Camila Márcia]